Eu comparo a primeira geração e a segunda (a qual pertenci) de dm do Capítulo Rio de Janeiro como um bando de caras que com facões, foices e serras foram abrindo picadas no meio da selva, dando origem à auto-estrada pavimentada que é hoje a ODM tupiniquim que nossos Irmãozinhos mais novos passeiam. O problema é que não sabíamos em que direção abrir essa picada. Hoje olhando 30 anos depois, vejo que a gente lá atrás não tinha mínima idéia da dimensão que a Ordem poderia vir um dia a alcançar. A Ordem DeMolay chegou ao Brasil, na minha opinião, de cima para baixo. A coisa estava delineada na cabeça do Tio Alberto Mansur e ele assim o trouxe, mas, com suas atividades paralelas de Soberano Grande Comendador do Supremo do Grau 33, a coisa ficou meio que largada. O único testemunho que eu tenho de um dm que iniciou na lendária tarde de 16 de agosto de 1980, para que vocês tenham uma idéia, era a de que ele não tinha a mínima idéia do que estava fazendo ali, apenas que seu pai maçom lhe pediu para dar as caras lá que ia ser fundado um tal de demolay... Mas eu não quero escrever sobre isso agora, quero escrever sobre nós. A coisa começou meio que esculhambada em nosso Capítulo (o Zé Ricardo bem que poderia nos relatar um pouco melhor o que aconteceu antes da minha entrada em 1983). Éramos poucos os que tinham a real consciência da grandeza que a Ordem poderia alcançar por aqui (nem falo no nível de Brasil, mas de cidade do Rio mesmo). O resto da garotada só queria farra, louvando sempre à vela do Companheirismo. Olha só o que fazíamos aos sábados: Chegávamos por volta meio dia, ficávamos conversando, tocando violão e brincando. O Supremo botou um ramal de telefone em nosso escritório, e aí rolava telefonemas para tudo quanto era lugar (imagina se tivesse telesexo naquela época...), e lá pelas 16 horas é que começávamos a reunião. Um dia alguém arrumou uma bola de vôlei e redes e ficamos jogando. Nisso chegou o pessoal lá de Volta Redonda, mas não teve reunião, pois ficamos lá jogando. Outra vez, por volta das 15 horas o nosso Mestre Conselheiro decidiu de forma convicta: “Vamos jogar queimado!” Outra vez o mesmo MC decidiu: “Vamos brincar de pique!” Imaginem só uma brincadeira de pega envolvendo uns garotões entre 15 a 20 anos (acho que essa era a nossa média de idade) dentro do enorme e abandonado espaço da sede do Supremo. Era cara subindo pelos telhados e por aí vai, para desespero de um velho senhor que era o caseiro. Mas por incrível que pareça às reuniões também aconteciam, assim como as iniciações, as elevações, as cerimônias públicas... Como uma vez escreveu uma Tia muito tempo depois, na qual me foge o seu nome, e que presidiu o nosso Clube de Mães um texto que dizia mais ou menos assim: “os meus meninos são brincalhões, esquecidos, relaxados... Mas eu tenho certeza que no momento certo eles não fugirão aos seus deveres e responsabilidades, e como mágica tudo dará certo. E é o que realmente sempre acontece”.
Um comentário:
Esse dia do vôlei foi um dos melhores que passei lá no 001! Penas as maquinas fotográficas fosse artigos escassos naquela época.
A rede foi amarrada num mastro de bandeira, ora vejam o Patriotismo servindo de base para nossa farra!
Muito bem lembrado, Teles!
Pô cara, se eu soubesse lá nos 80's que a Ordem iria virar essa zona de divisões, teria registrado no INPI uns mil nomes de Ordens para ganhar uma graninha de royalties.
Esse papo do que passava na cachola do Tio Mansur é papo para muito post regado com brejas serranas.
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