Olá;
Eu não conheço todos vocês e vocês também não me conhecem... Que pena, mas menos mal porque uma coisa nos une em corpo e alma através dos diferentes e distantes tempos e de espaços físicos. DeMolay!!
Meu nome é Carlos Teles, e fui convidado para em algumas poucas linhas falar sobre o início da Ordem DeMolay aqui no Brasil. Acho que o principal motivo desse convite é por causa da minha entrada na Ordem a quase vinte e sete anos atrás, mais exatamente em maio de 1983 (ano em que boa parte de vocês que irão participar desse encontro não eram mesmo nem nascidos), e por coincidência no primeiro capítulo fundado e instalado que como vocês devem saber é o Capítulo “Rio de Janeiro”. Apesar de ter iniciado somente aos 2 anos, 9 meses e 12 dias de existência da Ordem no país, me considero como um dos seus percussores, primeiro porque naquele tempo, sem internet e outras tecnologias de informação, vivendo ainda em uma ditadura dos generais entre outras chatices, o tempo era mais devagar e menos dinâmico, acreditem, ou seja, havia mais tempo para curtirmos as coisas, e no meu caso a grande curtição era o DM; e em segundo lugar que muitos Irmãos que me iniciaram eram da lendária turma de 1980, que me aceitaram no meio da galera e compartilharam comigo muitas das suas experiências e “divertidos causos” em que até hoje me atrapalho, achando que eu estava também junto com eles no meio da bagunça...
Alguns de vocês devem se surpreender: Mas era uma bagunça?!? Isso mesmo era uma “doce e saborosa bagunça” a Ordem DM naqueles primeiros anos... Ninguém estava ali para cumprir a “sagrada missão” de “crescer e multiplicar” a Ordem. Éramos garotos, uns ainda “criançonas” e outros já “homenzinhos” que aos sábados se juntavam para fazer coisas que talvez não pudessem fazer durante a semana como jogar bola, correr, fazer algazarra, cantar... Ah, e fazer também as sessões demolays que nem vocês fazem hoje. Essa descontração toda acreditem, até que ajudou quando chegamos naqueles locais esquisitos, com pouca luz e cheirando a mofo, com homens também idênticos. Eram “uns caras” chamados de maçons na qual na minha infância ouvia falar que eram “uma espécie de lobisomens”... Eles (a maioria na época) não iam muito com a gente porque “profanávamos” (sic) os ditos templos sagrados, e nós sempre tirávamos um sarro (ainda existe essa gíria?) das broncas que tomávamos... Mas dentre eles tinha um que sempre defendia a gente, apoiava e lembrava de que o que fazíamos no Capítulo era importante para nós próprios e para a Ordem DM nos anos que estavam por vir... Seu nome? Alberto Mansur. Depois meus Irmãos me contaram que esse senhor foi (e ainda é) “O Cara” que trouxe a Ordem DM dos Estados Unidos para cá, e é o maçom mais respeitado e com o maior cargo daqui, “o Soberano”, e quando ele nos visitava nas sessões ao lado de sua esposa, a querida “tia” Célia, era uma alegria enorme. Olhando daqui de hoje esses vinte e tantos anos que se passaram, não canso de admirar o espírito empreendedor do tio Mansur (aqui apenas entre nós, ele não suporta que os seus demolays o chamem de “Irmão” quando tornam-se maçons) que enxergou naquela garotada que estava ali correndo de pique esconde nos jardins de seu Supremo Conselho Maçônico, as sementes de uma renovação na maçonaria e de uma revolução na juventude como um todo. Éramos naqueles anos 80 do século passado, jovens desbravadores, mas não sabíamos e não tínhamos idéia alguma de que a Ordem DM se tornaria esse gigante de hoje... Sinal de que no meio daquela bagunça, conseguimos cumprir de certa forma o nosso papel, não é mesmo? Sem sombra de dúvida, o cidadão que hoje sou além da influência e exemplo de meus pais, eu também devo a Ordem DM e aos “tios” maçons que estiveram ao nosso lado durante a jornada. Um forte abraço a todos vocês, e que curtam esse Congresso da forma que acharem melhor: estudando, aprendendo, divertindo, passeando, jogando bola, paquerando... É DeMolay na cabeça e no coração!!
(Esse texto foi feito em 15 de abril de 2010 a pedido do querido mano dm Joséllio Carvalho para ser publicado em um informativo de um evento demolay em Minas Gerais. Não sei se foi publicado de fato, ou se foi censurado, mas está aí para quem quiser usar, respeitando o CREATIVE COMMONS acima e me avisando para que eu possa enviar as minhas credenciais de autor.)
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