Olá;
Hoje eu gostaria de relatar para vocês a trajetória de um Irmão demolay que eu admiro muito, mas muito mesmo. Seu nome é Jorge C. Alberto. Ele foi apresentado ao Capítulo Rio de Janeiro provavelmente em fins dos anos oitenta pelo seu padrasto que era maçom. Tinha uma tremenda pinta de revoltado, mas era um doce de pessoa. Ele nunca foi Mestre Conselheiro e muito menos ocupou cargos de grande importância ritualística (existem realmente cargos de mais ou menos importância ritualística?). Toda vez que eu o indicava ao Mestre Conselheiro era desdenhado e preterido por outro, mais por critérios de amizade do que por méritos ritualísticos. Sempre foi preceptor, cargo que apesar da sua importância nas iniciações, soa sempre para os demolays com mais tempo de atividade como aquele cargo que sobrou. Mas aí é que a gente vê quem é quem, pois o Jorge sempre foi aquela engrenagem que fazem as coisas funcionarem, e fazem os Mestres Conselheiros receberem aplausos e beijinhos, que distribuírem diplominhas a todos, menos justamente para esses... lembro-me de que quando tinha reunião especial tava lá ele de manhã comprando flores, fazendo a faxina e outras coisas. Montou barraca em São João; fez aquelas faxinas brabas na sala do Capítulo, que era enorme; dormia cedo para acordar cedo também no dia seguinte na época do Hotel Glória; dormiu (ou não) em Ciep para fazer companhia aos (nem sempre simpáticos) Irmãos que vinham de outros estados brasileiros e mais coisas que eu não testemunhei.
Um tempo depois ele caiu doente, não me lembro de que, e quase morreu. Fiz questão de visitá-lo, e levei alguns Irmãos comigo. Depois foi tempo em que a minha vida “civil” ficou mais intensa e quase não o via, a não ser nas campanhas de doação de sangue e em outras que o Capítulo Rio de Janeiro fazia. Depois ele casou com uma menina mais velha que já tinha duas filhas (ele me disse que assumiu a paternidade, olha que legal), começou a trabalhar com estofamento e me deu seu telefone. Anos depois, precisei de um estofador e achei o seu cartão. Não o disse quem era porque não queria desconto no serviço. Quando ele apareceu conversamos muito. Fiquei feliz em revê-lo, e ele também. Foi também a última vez que o vi.
Lembrando dele hoje vejo que o Jorge era um menino sem nenhuma vaidade. Botava a mão na merda e ia até onde o vento faz a curva se pedissem a ele. Mas não tinha nenhuma vaidade e por isso foi relegado a terceiro plano no Capítulo. Nem um diplominha... Mas ele não deve ter ligado, porque não era vaidoso. Como na minha profissão está na moda escrever teses de reparação, gostaria de usar o meu Baú de memórias para reparar essa injustiça com um valiosíssimo Irmão que provavelmente jamais vai ler isso aqui, e que como um bom chefe de família que tenho certeza que é, está correndo atrás de uma vida melhor para os seus filhos. Jorge, desculpe por tudo e que Deus te abençoe meu Irmão.
Um comentário:
Bela história Teles! Essas histórias que fazem relembrar o quanto a Ordem DeMolay é tão especial!
Parabéns pelo reconhecimento a esse irmão!
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